O lugar
Lugar habitado. Pessoas em permanência ou viajantes com tempo. Sobreiros e carvalhos. Fruteiras, da castanha e noz, às peras, maçãs ou marmelos. Pessegueiros e ameixeiras. Frutos vermelhos. Hortaliças, alecrins, alfazemas ou lúcias-lima. Camélias, magnólias, ciprestes. Urzes, ligustros, aroeiras. Animais. Como um ecossistema de bolso, um bocadinho de cada.
Antes de tudo, este quase hectare da Mata de Cima foi mata a sério. Carvalhos e sobreiros que aqui nascem espontâneos, sem pedir licença. São um banco de sementes com séculos, sobreviventes de uma desflorestação que aqui tardou, por se ter mantido nesta região até ao século XVIII um generoso couto da Coroa, da Ordem dos Templários e da fidalguia.
Quando aqui chegaram os nossos pais, há 30 anos, o solo já era nu. Plantaram coníferas, fizeram jardim, pomar, horta, capoeiras. Os carvalhos e sobreiros que insistiam em nascer eram como infestantes, algo a controlar. Sobreviveram seis, por insistência do filho veterinário. Bem haja. São hoje a sombra da nossa eira de piqueniques.
Em 2017, tomamos conta do lugar. Os Quercus, essa persistência antiga, são preservados, sem fundamentalismos. A estes bosquetes, juntam-se os jardins, a horta, o pomar e as capoeiras. Como um ecossistema de bolso, um bocadinho de cada.